Durante entrevista ao economista Eduardo Moreira, no programa Canal Livre, da TV Band, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender a regulamentação dos jogos presenciais no Brasil — como cassinos e bingos — e classificou como uma “inversão de prioridades” o fato de o Congresso Nacional ter avançado primeiro na regulamentação das apostas online.
“Eu até estranho, de certa maneira, o jogo virtual ter sido aprovado e o jogo presencial não”, afirmou o ministro.
Haddad argumentou que o jogo online, já regulamentado, atinge uma base massiva de usuários — com cerca de 30 milhões de CPFs únicos cadastrados, segundo dados do Ministério da Fazenda — o que, segundo ele, justifica a preocupação com impactos sociais, como a dependência, e a destinação de parte da arrecadação para políticas de saúde pública.
Em contraposição, ele destacou que os jogos presenciais têm perfil diferente: não são voltados ao grande público, mas sim direcionados ao turismo e à dinamização de economias locais. Para o ministro, cassinos e bingos operam de forma mais controlada, em locais estratégicos com potencial turístico, e poderiam impulsionar a geração de empregos, a formalização do setor e o combate a práticas ilegais, como o Jogo do Bicho.
O Brasil tem vocação para esse tipo de turismo. Com uma boa regulamentação, os jogos presenciais poderiam ser uma fonte importante de receita e desenvolvimento regional, concluiu Haddad.